Meus comentários do Livro Construindo Uma Vida de Roberto Justus


Ontem eu reli o capítulo Administração, Negócios e Criatividade do livro Construindo Uma Vida – Trajetória Profissional, negócios e O Aprendiz do Roberto Justus. Estou publicando aqui uma pequena parte interessante.

Paradoxo Profissional

“Com 15 funcionários, o número do nosso pessoal era muito superior às possibilidades de nosso faturamento, mas ao mesmo tempo era também muito inferior para atender às necessidades de um cliente maior. Era a estrutura minimamente necessária para operar a empresa, mas insuficiente para prestar serviços para um cliente de maior porte.” Isso acontece com todo pequeno negócio.

A Situação

Como atrair um grande cliente para uma empresa que não tem condições de atendê-lo?

“Na época, eu sentia que a única coisa a fazer era começar a trabalhar com seriedade – e pesado.”

Não significa que o “funcionário” tem que morar dentro da empresa, ser o office-boy, limpar o banheiro, tirar os lixos, concertar os cumputadores, fazer hora extra mas não receber, etc. Isso é uma questão de atitude coletiva e seriedade que deve antes de qualquer coisa, partir do dono do negócio.

Empresário Vs Empreendedor

Nem todo chefe faz o que seria mais certo em determinados momentos. Existe a diferença entre o querer e o poder, e nessa hora, é inevitável o momento da organização interna. Por mais que exista muita força de vontade e querer botar o dedo em tudo, nem sempre é o que vai fazer o negócio andar.

“No início, eu me preocupava com todos os detalhes”, “Eu me lembro de uma fase em que acabei contratando uma empresa de organização e métodos para organizar a agência”, […] “Estava preparando a agência para o crescimento que poderíamos vir a ter: afinal de contas, éramos trabalhadores, sérios, honestos, jovens e adorávamos publicidade”.

A Lição

“Se você quiser nadar entre tubarões é melhor se tornar um deles. Um tubarão nunca é desleal ou desonesto; é implacável – e sabe muito bem o que quer”.

Não se cresce apenas por novos contatos ou pelas beradas da politicagem.

“Se eu tivesse administrando meu restaurante, o momento seria de me concentrar para organizar minha nova fase, e só sair promovendo meu serviço e minha culinária depois que estivesse confiante na eficiência de minha organização. É importante dar um passo de cada vez, mas muito mais que isso, é preciso saber que passo dar primeiro.”

Eu já tive “altos” papos com certa pessoa sobre isso. Mas parece que eu não era muito bem entendido. A sensação que eu tinha era de que a pessoa não fazia muita questão de escutar um “funcionário”, mas dizer o que pretendia ou achava que era certo, pôr em prática alguma coisa que nunca se realizava.

Cada Macaco no Seu Galho, fazendo o que Sabe Fazer

“Se eu tivesse dirigindo uma fábrica de software eu iria contratar um técnico em software. Não iria precisar fazer eu mesmo um curso de informática”, […] “Eu não me atrevia a entrar na sala de algum Diretor de Arte, por exemplo, e dizer que o Logotipo do Cliente deveria estar um pouco mais à esquerda ou que a fonte usada em algum título podia ser outra ou estar em itálico. Um diretor de arte é o profissional que é pago para saber, entre tantas outras coisas, a melhor colocação de qualquer logotipo; eu deveria estar sendo pago para saber quem contratar – não para desenhar marcas.”

Se a Empresa investe na organizão, investe nos “Funcionários”

“Toda vez que é anunciada alguma feira importante de varejo na Europa ou nos EUA, fazemos o possível para mandar para o evento nosso Diretor de Atendimento das Casas Bahia; todo ano o pessoal de criação sempre volta para Cannes para se atualizar; vários de nossos profissionais já cursaram o MBA da Madia e Associados”, […] “Chegamos inclusive a pagar cursos de Inglês e Espanhol para muitos profissionais e, como regra geral, sempre que alguém se intessa por algum evento ou seminário ligado a profissão, seja onde for, a agência costuma bancar. Existe até um orçamento específico para isso.”

Produtividade com Terrorismo Não Funciona

“É fundamental tentar criar um ambiente de trabalho que fosse saudável – já que, sendo saudável tudo tende a se tornar mais feliz – e, sendo feliz, todo mundo acaba se tornando muito mais produtivo.”

Eu já me deparei em ocasiões que alguém me “julgava” por eu não ter feito tal coisa, pois esse alguém esperava aquilo de mim, mas eu mesmo não esperava porque ainda não estava ao alcance de minha competência naquele momento.

“É importante o profissional se esforçar para ser um outstanding‘ – expressão que defini pessoas brilhantes, que normalmente fazem até o que não estão incumbidos a fazer -, porém no momento certo”.

Não se trata de querer mostrar sob subordinação que você é fora do normal ou tem uma mente brilhante. Penso que mais que isso, é provar para si mesmo e não para alguém que deseja ou espera de você. Deve partir de você a consciência e controle sobre as coisas que tem a fazer, conquistar ou superar.

Se alguém te julga por alguma coisa que não foi feita, você tem que conhecer os porquês, argumentos para mostrar-se o maior entendedor da ocasião, com controle e sensatez.

Em relação à ocasião citada acima, tempos depois, a pessoa entendeu que eu não estava errado e que realmente deixar de fazer algo que não está incumbido a fazer, não significa que você é preguiço, mas é organizado. Fazer o que é do outro, às vezes deixa a pessoa acostumada e você pode ter dores de cabeça ao ter mais tarefa e responsabilidades por uma coisa que não é da sua competência. É tão grave quanto a você não fazer nada.

O Profissional Certo no Lugar Certo

“Outro problema que precisa ser enfrentado com muita clareza é o da adequação do profissional ao seu cargo. Muitas vezes se tem a sensação de que alguém está pronto para exercer um cargo acima – e a pessoa esta longe disso. Ao invés de promover um funcionário que parece eficaz, a empresa acaba com a pessoa errada no cargo errado.”

Parte da culpa, é sua, funcionário. Pois se você estivesse consciente das responsabilidades e fosse sincero sempre, evitaria enganos. É aí que você não pode deixar ser julgado por algo que esperam de você, mas que você sabe que ainda não pode dar o resultado que gostariam. O desejo de assumir algo novo deve ser encarado com sensatez e não com afobação. As palavras do Justus traduz o que eu disse acima.

“É comum ver redatores ou diretores de arte maravilhosos e que fazem o seu trabalho de forma extremamente competente se tornarem péssimos diretores de criação – porque são incapazes de qualquer atitude de liderança. O resultado é que você perde um redator genial e ganha um diretor medíocre.”

Métodos de Administração

“Durante muito tempo, um muitas agências, a administração costumava ser determinada por uma espécie de Política de Terror. Tudo parecia ser baseado numa disputa um pouco doentia por uma espécie de autoridade baseada num exercício quase mórbido de sacrifício. Muita gente adorava se vangloriar de que chegava as 5 da manhã na agencia, antes de todo mundo. Eu ficava so imaginando o que aconteceria com uma agência em que todo mundo chegasse as 5 da manhã.”

“Existia até um folclore sobre certos Diretores de Criação – e mesmo um presidente de agência – que chegava mais cedo, abriam os computadores de seus redatores e completavam anúncios, incluíam mais títulos para as paginas duplas e criavam mais comerciais. Nunca achei essa intromissão um método motivador. Para mim, tudo isso parecia só uma forma muito pouco produtiva de terrorismo.”

“Esse mesmo profissional que presidia uma agência importante – é o que contam – adorava repetir ‘se vc não veio aqui dar o seu sangue, não nasceu para trabalhar na minha agência’, era o mesmo que ameaçava todo funcionário de demissão se ele não tivesse a adorável disposição de abrir mão completamente de qualquer interesse pessoal ou vida própria fora da agência. É uma condição que até pode soar muito bem em certos momentos, com um grande exemplo de dedicação e empenho. Eu só tenho minhas dúvidas sobre como isso se reflete no dia-a-dia, no ânimo de cada profissional”.

“Sempre pensei o contrário. Sempre acreditei que cada funcionário meu deveria sim, ter sua vida; deveria, sim, continuar com seus interesses e seus planos pessoais, porque se a vida de cada um se limitasse à agência, nenhum deles poderia dar o máximo de si para cada cliente e em cada campanha. É fundamental que cada profissional mantenha um espaço íntimo.”

Banho de água fria

“Limitar a vida pessoal de todos aos limites de seu trabalho, para mim, nunca foi um exemplo de empenho – mas de desiquilíbrio. Como se pode exigir criatividade de alguém esgotado, alguém sem tempo de ir a algum cinema ou passar um fim de semana com a família?”

Poderia incluir também, o direito de usar MSN e navegar 1 horinha no Google a favor de um insight?

Em um outro post, escrevo outras partes interessantes do livro do Roberto Justus.

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3 Responses to “Meus comentários do Livro Construindo Uma Vida de Roberto Justus”

  1. ALPRADO

    Muito legal Thalis! Compilou muito bem pontos muito interessantes.
    Eu tenho o livro e ainda não li, acredita? Parece uma boa fonte de inspiração, vou subir sua prioridade na lista… 🙂

    abraço

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  2. Felipe Ranieri

    São por esses e outros motivos que eu não quero voltar ao mundo das agências.

    Cansei desse mundo e como eu costumo falar: enquanto o braço de TI/internet nas agências estiver sob o domínio dos publicitários, não haverá organização, não haverá planejamento nem resultado efetivo. Será tudo na base do terrorismo, na base do acumulo de trabalho, sem controle de qualidade, sem darem ouvidos ao real conhecimento do pessoal que trabalha com tecnologia.

    Um exemplo básico: é comum um grupo de TI dar idéias e querer implementar soluções internas que podem facilitar o trabalho e criar um ambiente mais saudável. É comum também, os cabeças da agência não darem ouvidos ao grupo que pretende promover uma política para melhorar as coisas.

    Ótimo texto Thalis, vou acompanhar essa série sobre os livro.

    Um abraço!

    Reply
  3. Marcio

    Como vai Thalis?

    Legal o seu blog. Achei pela Busca.

    Não sei realmente se tudo é tão simples assim. Escrever pra um livro é uma coisa, mas no dia-a-dia, eu tenho as minhas dúvidas.

    Mas todo chefe deveria ler sobre isso. Pois, tem muito chefe mais preocupado com seu ego do que no sucesso coletivo.

    O que eu tenho acompanhodo por alguns livros de liderança, é que nenhum dono ou chefe ou patrão constrói algo sozinho. Até mesmo o Justus dependeu muito do Ficher. Logo depois veio vender grande parte das suas ações para ele.

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